Trecho traduzido do texto “Fritz Lang’s Metropolis 1975-2002″ para o site: http://www.kino.com/
1922
Apresentados por um empregador em comum, o diretor Joe May, Fritz Lang e Thea Von Harbou começaram por uma colaboração mútua que rapidamente desabrochou em um romance ilícito. Von Harbou muda-se cedo para o edifício de apartamentos de Lang e divorciou-se de seu primeiro marido, Rudolf Klein-Rogge. Logo depois de descobrir que Lang e Von Harbou estavam juntos, a esposa de Lang, Lisa Rosenthal, é encontrada morta após supostamente ter enfiado uma bala de revólver em seu próprio peito. Apesar dos rumores em torno do suicídio, Lang e Von Harbou nunca foram implicados. Casaram-se em Agosto de 1922.
1924
Embora já estivesse em desenvolvimento e discussão por aproximadamente um ano antes, Fritz Lang sempre afirmou que a genesis de METROPOLIS foi seu primeiro olhar sobre a paisagem urbana de Nova Iorque, durante uma viagem promocional pelos Estados Unidos, em 1924. Nas ruas transbordantes e nos arranha-céus de Nova Iorque, Lang descobriu, em suas próprias palavras, tanto “uma cratera de forças humanas cegas e confusas” quanto “um luxuoso pano pendurado contra o céu escuro para cegar, distrair ou hipnotizar.”
1925
Desde o início, a importância da fotografia em METROPOLIS forçou a inventividade dos técnicos do Studio UFA ao limite. O inovativo processo de espelhos parciais de Eugen Schufftan é usado para combinar cenários em miniatura com ações de elementos vivos em tamanho real, no mesmo negativo. Para as tomadas de carros futuristas e tráfego de aviões, o fotógrafo de efeitos especiais, Gunther Rittau utiliza desenhos aminados em stop-motion. Estas seqüências, que mal duram um minuto no filme, levaram quase uma semana para fotografar.
1926
Enquanto as filmagens de METROPOLIS continuam, inúmeros ensaios de cenas com multidões, elevando os custos em mais de 36,000 extras e uma variedade de outros incrementos práticos e técnicos, inflacionaram o orçamento já judicialmente falido do filme. O produtor Erich Pommer era constantemente culpado pelos excessos de Lang e é demitido de METROPOLIS pela presidência do Studio UFA. Com a montagem iniciada em Julho, e a trilha sonora sendo composta logo após, em Outubro os 310 dias de filmagem finalmente terminaram.
1927
METROPOLIS estréia no dia 10 de Janeiro na prestigiada sala de cinema do UFA, Palast Am Zoo em Berlim, com o tempo de duração original de duas horas e trinta e três minutos. O novo parceiro americano do UFA, a Paramount, solicita que re-editem e cortem METROPOLIS para o lançamento americano. A versão desmembrada e recortada de METROPOLIS, feita pelo roteirista Channing Pollock para a Paramount, estréia no Rialto em Nova Iorque, dia 3 de Maio. O Studio UFA re-estréia uma versão em alemão baseada na versão re-editada por Pollock em Agosto. No final de 1927 o filme havia sido reduzido para um tempo corrido de oitenta e nove minutos. Fritz Lang afirma que, em meados de 1927 seu filme original já não existia mais.
1968-72
Entre 1968 e 1972, o Staatliches Filmarchiv der DDR da Alemanha Oriental compilou uma versão do filme com a ajuda de diversos arquivistas do mundo. Embora representasse uma melhoria em relação à versão anterior, muito buracos na narração do filme não puderam ser resolvidos devido à falta de fontes secundárias e de um roteiro original. Esta versão tem 2.362 metros de comprimento.
1984
Em 1984, os direitos autorais do filme foram licenciados para o compositor Giorgio Moroder. Moroder constrói uma versão pop deste clássico do cinema ao re-editar tomadas e ao colocar cenas que faltavam por meio de montagens de stills. Nesta versão aparecem poucos textos intercalados com as imagens, foram colocadas legendas e cor, mas nenhum destes elementos foi mais controverso do que a nova trilha sonora. Esta era composta por músicas do Fred Mercury do grupo Queen (“Love Kills”), Bonnie Tyler (“Here She Comes”) e Jon Anderson (“Cage of Freedom”). Esta versão de 2.276,5 metros (com um tempo de duração de 87 minutos com 24 quadros por segundo), provou ser um sucesso tanto no cinema quanto em vídeo, tornando este clássico acessível para um público maior e mais jovem.
1987
Em 1987, Enno Patalas e os Arquivos dos Filmes de Munique tiraram vantagem desta série de apropriações inusitadas para revelar uma terceira versão de METROPOLIS, agora com o compromisso histórico de fazer uma montagem definitiva do filme, em toda a sua extensão. Esta nova versão fez uso extensivo do material adquirido com os herdeiros, da versão de METROPOLIS com a trilha sonora original do compositor Gottfried Huppertz. A descoberta das partes censuradas da primeira versão pela equipe de Patalas (foi necessário copiar todos os quadros que continham textos e que ficaram detidos na censura alemã nos anos 20) e a aquisição de stills que documentam algumas das cenas ainda perdidas, também completavam buracos antes inexplicáveis. Esta versão tem 2.928,5 metros de comprimento.
2002
A Kino Internacional lança uma versão definitiva de METROPOLIS. O restaurador de filmes Martin Koeber, trabalhou com uma equipe de arquivistas liderados pela Fundação F. W. Murnau e, com a unificação alemã, o Bundes FilmArchiv e o Alpha Omega de Munique restauraram digitalmente mais de 12.000 elementos de cena da “Versão de Munique” de Enno Patalas com um nível de nitidez jamais possível antes. Foram introduzidos todos os quadros de textos originais, recém traduzidos para o inglês, assim como títulos detalhando as cenas do filme que ainda faltavam. Finalmente, pela primeira vez desde 1927, a trilha sonora, poderosa e dinâmica, de Gottfried Huppertz, foi reunida às visões inesquecíveis para as quais ela foi criada.
